A violência relacionada à orientação sexual não é nova no Brasil, mas tem aumentado nos últimos anos. Em 2016, o relatório anual do Grupo Gay da Bahia indicava o número de 150 pessoas LGBTQi+ assassinadas, ou seja, um assassinato LGBT-fóbico a cada 25 horas5. Esta taxa, já entre as mais elevadas do mundo, não fez senão cresce: em 20181 no Brasil, 320 pessoas LGBTQi+ foram assassinadas. Segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, os casos de agressões físicas também estão aumentando (713 casos registados nesse mesmo ano).

Estes indicadores confirmam LGBT-fobia cada vez mais crescente, alimentada por um discurso político que banaliza este tipo de violência. Durante todo o ano de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro não deixou de estigmatizar esta população, usando expressões e frases chocantes em seu discurso. Para se dirigir aos eleitores mais conservadores da sociedade brasileira, Bolsonaro propunha lutar contra toda forma de sexualidade vista por ele como um atentado à moral e aos bons costumes.

Estas palavras foram seguidas de atos desde a sua chegada ao poder, com a retirada da defesa das pessoas LGBTQi+ das prerrogativas do Ministério dos Direitos Humanos e o estabelecimento de uma política de cortes no orçamento destinado a apoiar às associações que lutam contra a homofobia. Outra forma de ataque à comunidade LGBTQi+ foi a nova política de saúde pública centrada na abstinência como estratégia central na luta contra AIDS e o abandono de apoio financeiro aos institutos de pesquisa trabalhando sobre tratamentos antirretrovirais.

Neste contexto de violência, apesar de um forte sentimento de insegurança, a comunidade LGBTQi+ mobiliza-se através de ações fortes. A Parada do Orgulho Gay 2019 foi um dos mais seguidos nos últimos anos. A luta contra as violências anti-LGBTQi+ encontrou um certo eco e voz, nos contrapoderes brasileiros, à imagem de grupos de advogados que solicitam o respeito dos direitos das pessoas LGBTQi+ ou ainda através da confirmação, pela suprema Corte brasileira, da criminalização da homofobia.

A comunidade LGBTQi+ resiste. Lutar não é um crime.