Como a maioria dos países da América Latina, o Brasil é marcado por uma forte concentração de terras nas mãos de uma minoria: 45% da superfície rural está nas mãos de menos de 1% dos proprietários, fazendo do Brasil o quinto país mais desigual em termos de acesso à terra na América Latina. A esta concentração se junta uma desigualdade de gênero, uma vez que os homens lideram 87,32% das propriedades rurais12. Esta concentração fundiária herdada da colonização é acentuada por um desenvolvimento econômico baseado na sobre-exploração dos recursos naturais e na exportação das matérias-primas. Como resultado desta agricultura industrial, o Brasil é hoje o 4e maior consumidor de fertilizantes sintéticos e o primeiro consumidor de pesticidas do mundo1.

A equação é simples: quanto menos superfícies disponíveis, mais forte é a pressão para a ocupação das terras. Desde 2015, os conflitos ligados à terra não cessam de se multiplicar, aumentando significativamente a violência no meio rural, em particular em relação às comunidades camponesas, aos povos indígenas e às comunidades tradicionais. São, no entanto, esses atores e atrizes que tentam garantir uma relação mais saudável e mais respeitosa com o meio ambiente nos territórios.

A partir do governo Temer, e em seguida com Bolsonaro, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), instituições fundamentais na regularização das terras no país, tiveram seus orçamentos cortados e foram esvaziadas nas suas atribuições.

Além disso, em 2019, foram apresentados vários projetos de lei para incentivar a compra de terras por capitais estrangeiros, favorecer a expulsão das comunidades rurais das suas terras, dificultando cada vez mais o processo de reforma agrária.

Os movimentos camponeses denunciam a criminalização a que estão sujeitos e o abandono de políticas públicas que permitam aos pequenos produtores e produtoras sobreviver. Paralelamente, promovem a agroecologia como alternativa a uma agricultura industrial que os expulsa das terras.

Os guardiões/Guardiãs da terra resistem. Lutar não é um crime.