Desde sua ascensão à presidência, Jair Bolsonaro iniciou uma cruzada ideológica contra o sistema educativo do país. Aliado do movimento «Escola Sem Partido» que defende uma “depuração” da Educação em nome da pátria, da ordem social, dos valores cristãos, a luta contra o «marxismo cultural» foi o coração da sua campanha eleitoral.

Ao apresentar Abraham Weintraub como ministro da Educação, Bolsonaro declarou: «Queremos uma juventude que não se interesse pela política ».

Em maio de 2019, o governo anunciou cortes no orçamento do ensino superior de 5,1 bilhões de reais (cerca de 1,16 bilhão de euros), impactando o funcionamento das universidades e manutenção de edifícios. Ao fazer cortes orçamentários e ao denunciar os «inimigos da pátria», o governo assinalou seu alinhamento com os grandes grupos de interesses do ensino privado e setores evangélicos mais conservadores.

Os ataques contra as universidades públicas foram acompanhados por outras medidas preocupantes: uma revisão dos manuais escolares destinada a suprimir qualquer referência à «ditadura militar» e a criação de uma comissão encarregada de avaliar os «conteúdos ideológicos» do ensino superior. Um novo modelo de ensino é levado pelo governo: disciplinas como a filosofia, a literatura ou a sociologia estão diretamente ameaçadas, enquanto que, paralelamente, o governo propõe implantar 200 escolas cívico-militares até 2023.

Toda a política de democratização do ensino entre 2003-2015 corre o risco de ser varrida, assim como o legado de grandes pedagogos brasileiros, entre os quais Paulo Freire, referência internacional em matéria de educação popular, condenado pelo novo poder.

As primeiras medidas do governo testemunham, portanto, esta dupla orientação reacionária e neoliberal: por um lado, extorquir dinheiro da sociedade através de cortes orçamentais maciços, em diferentes setores (educação, saúde, meio ambiente) e, por outro lado, atacar diretamente o setor da educação, que foi particularmente ativo na luta contra as políticas de austeridade do governo de Michel Temer.

Foi neste contexto que se realizaram as mobilizações maciças em 2019 para denunciar os cortes orçamentários na educação, com um milhão e meio de brasileiros nas ruas no mês de maio. Os movimentos sociais brasileiros mobilizam-se hoje para defender uma educação pública, livre e democrática.

As organizações de estudantes, os sindicatos dos trabalhadores das instituições de educação e as escolas de educação popular resistem.