A economia brasileira baseia-se em grande parte na extração e exportação dos recursos naturais (minérios, agrícolas, etc.)1. Para responder a uma vontade de crescimento econômico sem limites, as fronteiras para a exploração e a exportação dos recursos são constantemente estendidas. Os grandes projetos de barragens e outras infraestruturas são pensadas às pressas, sem consulta prévia às populações que vivem nesses territórios. Os casos de apropriação das terras e as pressões para o controle destes recursos naturais2 aumentam. Os conflitos socioambientais estão, portanto, em forte aumento no Brasil, de 2018 a 2019 em comparação com os anos anteriores.

Em 2019, a desflorestação da Amazônia aumentou 85% em relação ao mesmo período de 20181: De acordo com o Sistema de Detecção da Desflorestação da Amazônia legal em tempo real (Deter), no ano passado 9165,6 km2 de floresta estavam em alerta de desflorestação, contra 4946,37 em 2018. Uma desflorestação em benefício da extração muitas vezes ilegal de madeira e da expansão da fronteira agrícola. Em 2019, foram contabilizados 178 focos de incêndios, contra 68 345 em 2018, um aumento de 30%2. Os setores econômicos mais poderosos veem a Amazônia como um território a ser explorado para o desenvolvimento econômico do Brasil.

A Amazônia não é o único território em conflito socioambiental: em 2018, 276 conflitos pelo acesso à água eclodiram em todo o território brasileiro, contra 197 no ano anterior. Estes conflitos envolveram mais de 368 mil pessoas em 2018, ou seja, o dobro do que em 2017.

A barragem de rejeitos de minérios da empresa Vale em Brumadinho, que cedeu em 25 de janeiro de 2019, fez 259 mortes22 e liberou 12,7 milhões de metros cúbicos de lama tóxica. Este é mais um exemplo desta pressão socioambiental provocada pelo extrativismo e pela gestão irresponsável das multinacionais proprietárias.

 

As associações e os defensores dos direitos socioambientais resistem a nível nacional e internacional, exigindo reparação, justiça, e denunciando a situação junto à Comissão Interamericana dos Direitos do Homem (CIDH). A nível local, as bases militantes se mobilizam contra a construção das barragens ou outros megas-projetos que não são objeto de consulta prévia.

Os defensores e defensoras dos direitos socioambientais resistem. Lutar não é um crime.